sexta-feira, 23 de novembro de 2012
sexta-feira, 20 de maio de 2011
Polêmica onde não há
Capítulo 1
Escrever é diferente de falar
“Preciso entregar esse texto e queria que você lesse antes, para ver se está bom.”
A frase acima traduz uma situação bastante comum. Mesmo alguém experiente na leiturae na escrita sente necessidade da avaliação de outra pessoa sobre o que escreve. Escritores consagrados, do passado e da atualidade, também mantiveram, e mantêm, o hábito de trocar correspondências sobre sua obra.
Há momentos em que surgem dúvidas sobre a grafia das palavras (se têm acento, se levam ums ou dois…), sobre a pontuação, o emprego de maiúsculas etc. Às vezes, somos dominados por uma insegurança que nos impede até mesmo de saber ao certo qual é nossa dúvida. Sentimos que falta algo no texto, mas não sabemos o que
é. Isso é natural, pois se trata de uma dificuldade enfrentada por todos que estão aprendendo o funcionamento da língua escrita. À medida que ampliamos nosso conhecimento sobre ela, essas sensações vão sendo superadas.
A língua escrita não é o simples registro da fala. Falar é diferente de escrever. A fala espontânea, por exemplo, é menos planejada, apresenta interrupções que não são retomadas. Além disso, conta com outros recursos, como os gestos, o olhar, a entonação. Já a escrita possui muitas convenções. Ela precisa ser mais contínua, sem os cortes repentinos da fala, e mais exata, porque geralmente não estamos perto do leitor para lhe explicar o que queremos dizer.
Você, que é falante nativo de português, aprendeu sua língua materna espontaneamente, ouvindo os adultos falarem ao seu redor. O aprendizado da língua escrita, porém, não foi assim, pois exige um aprendizado formal. Ele ocorre intencionalmente: alguém se dispõe a ensinar e alguém se dispõe a aprender. Geralmente há local, momento e material próprios para isso. Obviamente, em algumas ocasiões, é possível improvisar: um irmão mais velho pode ensinar o que já aprendeu na escola para o irmão mais novo, por exemplo. De qualquer forma, dificilmente aprendemos a ler e a escrever por acaso, sem ter a intenção disso.
Outro ponto importante: da mesma forma que uma criança aprende a falar observando os outros falarem, o aprendizado da língua escrita requer acesso a textos escritos, ou seja, aprendemos a ler lendo e a escrever escrevendo.A leitura e a escrita necessitam de prática. Por isso, mesmo que uma ou outra atividade de escrita lhe ofereça dificuldade, você deve se empenhar ao máximo para realizá-la. Procure reler e revisar o que foi escrito, e, quando necessário, passe o texto a limpo. No começo, você pode achar difícil, mas os resultados compensarão.
Neste capítulo, vamos exercitar algumas características da linguagem escrita. Além disso, vamos estudar uma variedade da língua portuguesa: a norma culta. Para entender o que ela é e a sua importância, é preciso antes conhecer
alguns conceitos.
Em primeiro lugar, não há um único jeito de falar e escrever. A língua portuguesa apresenta muitas variantes, ou seja, pode se manifestar de diferentes formas. Há variantes regionais, próprias de cada região do país. Elas são perceptíveis na pronúncia, no vocabulário (fala-se “pernilongo” no Sul e “muriçoca” no Nordeste,
por exemplo) e na construção de frases.
Essas variantes também podem ser de origem social. As classes sociais menos escolarizadas usam uma variante da língua diferente da usada pelas classes sociais que têm mais escolarização. Por uma questão de prestígio — vale lembrar que a língua é um instrumento de poder —, essa segunda variante é chamada de variedade culta ou norma culta, enquanto a primeira é denominada variedade popular ou norma popular.
Contudo, é importante saber o seguinte: as duas variantes são eficientes como meios de comunicação. A classe dominante utiliza a norma culta principalmente por ter maior acesso à escolaridade e por seu uso ser um sinal de prestígio. Nesse sentido, é comum que se atribua um preconceito social em relação à variante popular, usada pela maioria dos brasileiros.
Esse preconceito não é de razão linguística, mas social. Por isso, um falante deve dominar as diversas variantes porque cada uma tem seu lugar na comunicação cotidiana.
Como a linguagem possibilita acesso a muitas situações sociais, a escola deve se preocuparem apresentar a norma culta aos estudantes, para que eles tenham mais uma variedade à sua disposição, a fim de empregá-la quando for necessário.
Há ainda mais um detalhe que vale a pena lembrar. A norma culta existe tanto na linguagem escrita como na linguagem oral, ou seja, quando escrevemos um bilhete a um amigo, podemos ser informais, porém, quando escrevemos um requerimento, por exemplo, devemos ser formais, utilizando a norma culta. Algo semelhante ocorre quando falamos: conversar com uma autoridade exige uma fala formal, enquanto é natural conversarmos com as pessoas de nossa família de maneira espontânea, informal. Assim, os aspectos que vamos estudar sobre a norma culta podem ser postos em prática tanto oralmente como por escrito.
Neste capítulo, vamos ler dois textos. Eles permitirão aprofundar questões relativas à escrita e à maneira formal de as pessoas se expressarem em português
A concordância entre as palavras
A concordância entre as palavras é uma importante característica da linguagem escrita e oral. Ela é um dos princípios que ajudam na elaboração de orações com significado, porque mostra a relação existente entre as palavras.
Verifique como isso funciona:
Alguns insetos provocam doenças, às vezes, fatais à população ribeirinha.
insetos (masculino, plural) ß alguns (masculino, plural)
doenças (feminino, plural) ß fatais (feminino, plural)
população (feminino, singular) ß ribeirinha (feminino, singular)
As palavras centrais (insetos, doenças, população) são acompanhadas por outras que esclarecem algo sobre elas. As palavras acompanhantes são escritas no mesmo gênero (masculino/feminino) e no mesmo número (singular/plural) que as palavras centrais.
Essa relação ocorre na norma culta. Muitas vezes, na norma popular, a concordância acontece de maneira diferente. Veja: Os livro ilustrado mais interessante estão emprestado.
livro (masculino, singular) à os (masculino, plural)
ilustrado (masculino, singular)
interessante (masculino, singular)
emprestado (masculino, singular)
Você acha que o autor dessa frase se refere a um livro ou a mais de
um livro? Vejamos:
O fato de haver a palavra os (plural) indica que se trata de mais de um livro. Na variedade popular, basta que esse primeiro termo esteja no plural para indicar mais de um referente. Reescrevendo a frase no padrão da norma culta, teremos:
Os livros ilustrados mais interessantes estão emprestados.
Você pode estar se perguntando: “Mas eu posso falar ‘os livro?’.” Claro que pode. Mas fique atento porque, dependendo da situação, você corre o risco de ser vítima de preconceito linguístico. Muita gente diz o que se deve e o que não se deve falar e escrever, tomando as regras estabelecidas para a norma culta como padrão de correção de todas as formas linguísticas. O falante, portanto, tem de ser capaz de usar a variante adequada da língua para cada ocasião.
quarta-feira, 18 de maio de 2011
Professora cala a boca de deputados no RN
Dica da Bruna
sexta-feira, 15 de abril de 2011
Raimundo Colombo, ou seria, Nolombo
"Governador do DEMos tira escola das crianças para dar prédio a deputados
O governador do DEMos de Santa Catarina, Raimundo Colombo, comete um verdadeiro atentado contra uma escola: desaloja o prédio para ocupá-lo com gabinetes políticos de deputados. Parece até coisa de maníaco.
Deu no Terra:
A transformação de uma escola localizada no centro de Florianópolis em escritórios para os deputados estaduais está gerando polêmica em Santa Catarina. O governador do Estado, Raimundo Colombo (DEM), enviou à Assembleia Legislativa catarinense um decreto determinando a doação do imóvel onde funcionava a escola estadual Celso Ramos para o Legislativo. No local irão funcionar assessorias dos parlamentares e escritórios da administração da Casa.
A comunidade da área onde a escola funcionou até dezembro do ano passado esperava que uma creche fosse instalada no local. As negociações entre líderes comunitários, prefeitura e o próprio governo estavam em andamento até que o decreto foi publicado.
A doação feita pelo governador democrata gerou mal-estar até mesmo dentro do governo: na segunda-feira, a Secretaria da Educação divulgou uma nota oficial na qual defendia que o prédio da escola fosse utilizado pela comunidade. No dia seguinte, Raimundo Colombo determinou a transferência do espaço para uso dos deputados.
A escola Celso Ramos foi desativada no início deste ano após uma série de episíodios de violência cometidas pelos próprios alunos contra professores. A situação chegou a ser retratada no programa Profissão Repórter, da Rede Globo. Com capacidade para 1,3 mil alunos, restaram apenas 150 estudantes, que acabaram transferidos para outras unidades no início do ano.
A comunidade que utilizava a escola chegou a protestar na Assembleia Legislativa. Na quarta-feira, o tema voltou a ser comentado por vários deputados em sessão da Assembleia. Governistas defenderam a ocupação do espaço pelos parlamentares.
Esse é o jeito demo-tucano de governar: aos deputados que já tem muito, mais um pouco de espaço, conforto, suntuosidade e gordura no orçamento da Assembléia. Às crianças sem creche e sem pré-escola que se virem. Talvez o governador pense que a oportunidade de futuro que lhes cabe é engraxar os sapatos de V. Exas na porta de seus gabinetes."
Via Blog Amigos do Presidente Lula
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Tragédia no Rio, a escola
Ponho abaixo um texto sobre a chacina em uma escola carioca. O texto reflete minha indignação não só com o ato, mas principalmente, com a maneira que ele está (e será) tratado pela imprensa marrom de nosso país.
"Fico espantado com a superficialidade com que se está tratando esta tragédia na escola municipal Tasso da Silveira, em Realengo. O rapaz enlouquecido que fez essa monstruosidade é apresentado de todas as formas preconceituosas possíveis, como portador de HIV ou religioso islâmico e acusado de “passar o dia na internet”. Ora, nenhuma destas três coisas explica coisa alguma sobre o ataque psicótico que o levou a atacar e matar crianças em uma escola.
Se explicassem, haveria milhares de tragédias assim, pois há milhões de soropositivos, de islâmicos e denerds.
Só reforça esteriótipos e preconceitos, porque nem Aids, nem fé muçulmana ou internet fabricam este tipo de loucura.
A tão falada carta do homicida a cada hora é usada para achar uma “lógica” num ato ilógico, louco, transtornado. Uma exploração irresponsável, discriminatória e cheia de ódios. Afinal, a carta apareceu e não faz referência a nada do que se falou na imprensa, irresponsavelmente.
E ficaram falando em “fundamentalismo islâmico”. Que vergonha!
Aliás, não é só a mídia que está agindo com leviandade. O Senador José Sarney perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Suas declarações de que o ato foi “terrorismo” e de que era preciso colocar “segurança pública” (o que seria isso, artes marciais, defesa pessoal, ou o que?) no currículo das escolas são lamentáveis.
Como eu disse antes, o colégio era tranquilo, nunca tinha registrado incidentes de violência e até tinha um bom sistema de segurança. ora, ninguém está livre de deixar entrar um louco sob a aparência mais cândida do mundo.
Não é hora de histeria. Todos vocês lembram dos demagogos que prometiam -parece que se mancaram – colocar um guarda em cada esquina, como se um guarda próximo fosse evitar este massacre. Não evitaria, até porque, casualmente, havia policiais perto e eles agiram rapidamente. A presença de um policial sentado dentro da escola só ia, provavelmente, fazer com que um louco disposto a chacinar começasse por ele, de surpresa."
Via: Tijolaço
domingo, 27 de fevereiro de 2011
Assim é que vai pro buraco
Regressão continuada é coisa de tucano: Os alunos fingem que aprendem e o colégio finge que ensina
A novidade do momento é a progressão continuada, marca das escolas públicas de São Paulo, chegou à rede privada. A pressão dos pais, aliada à competitividade entre unidades que disputam o aluno que migra das redes estadual ou municipal, faz a exigência por nota ser cada vez menor. O Estado conta hoje com 9.464 escolas particulares. Em 2005, eram 8.600.Ou seja, progressão continuada dos tucanos chega à rede particular por interesses econômico
Nos últimos cinco anos, as matrículas no primeiro ciclo do ensino fundamental nos colégios pagos cresceram 35%. Nessas unidades, o modelo que divide o ensino em ciclos e reduz o risco de repetência é extraoficial. Professores ouvidos pela reportagem afirmam que a rede não assume, mas impõe dificuldades a quem opta pela retenção.
Atualmente, os alunos de escola pública da rede estadual de São Paulo passam de ano sem risco de repetir. Só no final da quinta e da nona série é que os estudantes podem ser reprovados.